*Por Armando Ribeiro, CEO da Beneo RH Digital
Nos últimos dias, o mundo vem sendo sacudido por alertas de líderes de empresas de inteligência artificial e de autoridades no Conselho de Segurança da ONU acerca do risco de perda de controle humano sobre sistemas autônomos. Leia-se, perda de controle sobre a IA.
O debate ganhou força diante de evidências de que certos agentes de IA podem ser capazes de burlar salvaguardas de segurança e da divergência entre países sobre a necessidade de uma governança global. A discussão é antiga e deve ir longe.
Por outro lado, é notório que a IA colocou ao alcance das pessoas capacidades que até pouco tempo dependiam de conhecimentos específicos e de diferentes profissionais para fazer um projeto sair do papel.
Hoje é possível elaborar em minutos análises sofisticadas, automatizar processos e até prototipar uma plataforma inteira a partir de uma ideia. E é possível fazer isto sem dominar as linguagens de programação, mas apenas usando bons prompts.
Durante anos, acompanhei o caminho necessário para transformar ideias em soluções. A IA encurtou muito este caminho.
Agora, uma proposta pode ganhar contornos mais claros logo no início. As ferramentas ajudam a visualizar o que se pretende fazer e testar caminhos. Quando chega o momento de envolver uma equipe de tecnologia, muita coisa já pode estar mais bem definida, reduzindo interpretações e retrabalho. A distância entre imaginar e fazer ficou menor.
É como se esse novo paradigma tivesse dotado as pessoas de superpoderes: fazer mais e mais rápido, encurtando o caminho entre uma ideia e sua execução.
O primeiro superpoder é a autonomia para fazer. Até recentemente, o conhecimento técnico e tecnológico necessário para automatizar estava reservado às equipes e áreas de tecnologia, o que costumava impor um limite muito cedo. “Até aqui conseguimos fazer por conta própria. Daqui para frente, precisamos de vocês.” E sabemos que a TI das empresas é e será sempre sobrecarregada.
A IA agora traz modelos de automação que dão a quem entende de um produto ou processo, ou sabe claramente o que quer fazer, a capacidade de criar a automação necessária.
É claro que isto jamais substituirá, pelo menos por enquanto, o trabalho de especialistas em programação, backend, gestão de dados, segurança da informação e todos os requisitos aplicáveis. Mas a autonomia do usuário multiplicou-se a tal ponto que exigirá uma nova discussão sobre papéis e governança.
O segundo superpoder é a liberdade para experimentar. É possível testar uma hipótese, explorar alternativas e descobrir até onde uma ideia pode chegar com poucos recursos e em pouco tempo.
Nem toda tentativa precisa virar um projeto ou mobilizar uma equipe. Há espaço para experimentar primeiro, entender o que funciona e, a partir daí, decidir se faz sentido seguir adiante.
O terceiro superpoder eu defino como multiplicação de conhecimento.
Aprendemos a utilizar IA tão facilmente quanto aprendemos a usar a internet. Só que a IA faz hoje por nós muito mais que a internet da época em que ela surgiu. Aprender a usar as novas tecnologias de IA é tão simples quanto participar de um seminário rápido. E isto favorece também repassar o conhecimento: ficou muito fácil ensinar. Tenho feito isso e vejo o brilho nos olhos das pessoas.
E esse conhecimento circula. Uma orientação inicial pode resultar em aplicações que nem sequer haviam sido imaginadas por quem ensinou. Cada pessoa olha para a IA a partir daquilo que conhece e encontra um uso diferente para ela.
Ninguém precisa saber programar para começar a explorar esse novo espaço. O mais importante é aprender o que já pode ser feito e entender até onde essas ferramentas conseguem nos levar.
Autonomia para fazer, liberdade para experimentar e conhecimento que se multiplica.
Enquanto se discutem os limites da evolução da tecnologia, não há limites para usá-la nem para os superpoderes que a inteligência artificial colocou nas nossas mãos. Eles não diminuem o valor da experiência acumulada, mas fazem com que possamos ir muito mais longe.
E você, está pronto para ganhar esses superpoderes?





